quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Inspiração



Eu quis fazer uma canção de amor
Uma canção de gratidão
Eu quis cantar a cor de uma flor
Que abre no coração

Mas coisa ingrata é essa tal de inspiração
Sempre aparece junto com a solidão
Se vem a tristeza pode esperar
Poesia logo atrás vai chegar

Eu caminhei, pensei no céu, no mar
Procurei palavras em todo lugar
Tentei inglês, francês, tudo em vão
Meu coração não quis essa canção


M.M.

sábado, 3 de outubro de 2009

O que fazer quando se tem vontade de gritar no meio da noite? E quando se tem vontade de correr pra longe no escuro? E quando se tem vontade de dormir até segunda-feira ou até dezembro? E quando se tem vontade de nadar até o fundo do oceano? E voar até o espaço? E quando não se lembra dos sonhos? E quando não quer se lembrar? E quando se olha demais pro passado? E quando planeja demais o futuro? E quando se espera demais de uma pessoa? E quando não pode mais ser o que esperam que você seja? E quando se perde o último ônibus da madrugada? E o único vôo? E a última esperança? E quando se quer explodir em mil pedaços? E quando acabam as palavras bonitas, as frases de efeito, a poesia corporal? E a inspiração musical? E quando não se dorme quando deveria? E quando se adormece na hora errada?
O que fazer?


M.M.

sábado, 26 de setembro de 2009

(re)Lembrança

"Quando você olha para uma pessoa e ela está sorrindo, o que você pensa?
Que está tudo bem com ela?
É isso?
Talvez...
Talvez não.
Nem sempre as pessoas conseguem mostrar o que sentem.
Nem sempre elas querem mostrar o que estão sentindo."



Trecho do espetáculo "Eu apenas queria que você soubesse", de 2007.

domingo, 20 de julho de 2008

Foi-se o tempo...

Foi-se o tempo em que noite era apenas noite. Em que lua era apenas lua. Música era apenas música. Foi-se o tempo em que cinema era apenas cinema. Em que teatro era apenas teatro. Jantar era apenas jantar. Foi-se o tempo em que fim de semana era apenas fim de semana. Em que sorriso era apenas sorriso. Olhos castanhos eram apenas olhos castanhos. Foi-se o tempo em que abraço era apenas abraço. Em que cheiro era apenas cheiro. Silêncio era apenas silêncio. Beijo, apenas beijo. Foi-se o tempo em que café era apenas café. Em que sabor era apenas sabor. Em que Nutella era apenas Nutella. E “alou”, apenas “alou”. Foi-se o tempo em que tempo era apenas... tempo.


M. M.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Torre dos Ventos


Do alto da torre lanço palavras ao vento na esperança de que elas cheguem ao mar. Elas se vão, carregadas por Boreas e Eurus. Peço a Notus que me traga o som da sua voz, o perfume dos seus cabelos, o sabor dos seus beijos. Com o olhar perdido na imensidão, me pergunto até que ponto vale a pena sonhar. Elevo minha voz a Astraeus e pergunto quanto mais terei de esperar. Aguardo a resposta de seus filhos em vão. Zephyrus, Eurus... Talvez um pequeno movimento de Notus. Espero. Todos se calam. Apenas silêncio. É certo que o controle do tempo não está nas mãos Astraeus, muito menos de seus filhos. O Senhor dos Mares já sabe do meu tormento. O Grande Senhor também. Não me restam muitas opções. Se a vida é uma longa espera, só me resta esperar.




M. M.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008



Algumas pessoas criam muletas e bengalas sem precisar delas, e acabam se esquecendo de como andar com as próprias pernas...


M. M.

domingo, 20 de janeiro de 2008

Ela dança. As palavras pronunciadas por sua língua asquerosa são cobertas de veneno. Seu hálito cega, confunde, causa enjôo. Suas mãos têm espinhos e suas unhas são como pontas de facas. Dos seus olhos negros sempre escorrem lágrimas de sangue daqueles que tiveram o desprazer de contemplá-los. Enquanto ela dança, o seu grito atravessa mares e montanhas, seca árvores e lagos, destrói castelos e sonhos. Visível ou não, está sempre presente. Esconde-se atrás de falsos sorrisos, de palavras amigas, de mãos que prometem ajuda, de lágrimas cênicas. Seu poder é imenso, e há somente uma arma capaz de evitá-la. Chama-se Silêncio. Então, arme-se dele. O que ela não conhece, não pode atingir. Esteja alerta, pois onde menos se espera sua sombra surge. E pode acontecer da Inveja resolver morar dentro de você.



M. M.